Diz muito bem uma conhecida minha: A língua é o chicote da bunda! Acabou que acompanhei o último jogo da Seleção na copa. Fiquei minimamente sentida com a derrota; mais com a falta de emoção nos comentários gerais.
Tava fazendo minha mala uns dias atrás. Começando a arrumá-la, só. Peguei nas mãos um livrinho verde-e-amarelo com crônicas do sr. Nelson Rodrigues, que acabou por me acompanhar naquela noite fria e triste. Com isso, dei pra gostar de futebol.
Acho que a dificuldade encontrada por mim e por tantos em compartilhar da catarse nacional, de ver e sentir aquela esfera ser tocada por tantos pés até enfim alcançar a rede do gol, está numa coisa que o Seu Nelson sempre reclama: Bilac morreu e não temos um Homero ou um Dante pra poetizar o que é prosaico em essência.
Abandonei a indiferença ao esporte. E isso não quer dizer que conheça e adore. Mas passei a compreender melhor a dita paixão nacional. O futebol é parte indissociável da vida e o mundo está contido numa partida de futebol ou, no mínimo, Nelson Rodrigues é muito bom pra convencer alguém disso.
Recomendo A Pátria em Chuteiras a qualquer um, ainda e principalmente àqueles que não gostam de futebol, que não entendem e que nem sentem falta. Leitura extraordinária e, ao contrário do que possa parecer pelo título e pela temática, universal.

