Início | Arquivo | Sobre | Contato

Projeto JOUR

11 de fevereiro de 2010

De repente, minha mente se fechou. Quando me dei conta da realidade do fim da vida escolar e da incerteza do ingresso na Universidade, minha veia literária foi bloqueada. Não conseguia mais ler, escrever, nada. Com muito esforço, foi-me possível elaborar um ou outro fragmento de texto com preocupação meramente estética e formal, nenhum bom conteúdo.

Aos poucos, estou voltando a produzir. Escrevi uma peça, à qual só falta a devida revisão e, logo no início das férias, depois do resultado excelente da primeira fase da Fuvest, consegui bolar esse projeto.

A intenção do Projeto JOUR - como foi batizado originalmente – era “contar um dia em fragmentos poéticos”. Em férias, sem muito o que fazer, notei que seria impossível me ater a qualquer unidade de medida de tempo. Estendi a ideia original a uma descrição de cenas interessantes do meu dia-a-dia, com uma boa dose de humor – forma de aliviar meus versos descompromissados – e em menção aos trabalhos de Chico Buarque, e depois Vinícius de Moraes, batizei meu rebento de Cotidiano No. 3. Faça o download clicando na imagem:

Clique para baixar!

Leia, repasse por email… só não esqueça de fazer SEMPRE referência à autora (yo!). Espero que goste!


Orgulho e Preconceito

06 de novembro de 2009

Nunca tive uma impressão muito boa de Jane Austen. Principalmente após assistir The Jane Austen Book Club, era impossível pra mim pensar na autora sem associá-la àqueles livrinhos Românticos blasé, os culpados pelas cabecinhas tolas e delirantes de tantas mulheres – e aqui me incluo, sim, mas também me implico! Então, um belo dia, eu entro na Saraiva pra cheirar livros depois do almoço e paro frente àquela coisinha redonda de pequenas ‘instantes’ (parafraseando o Peterson) da Martin Claret e ô editora pra ter pocket books com capa feia, nunca vi! Nem sei de onde, saí da livraria levando não apenas ‘Orgulho e Preconceito’, como ‘O Corcunda de Notre Dame’. O Victor Hugo até dá pra entender a atração, mesmo com a capa tosquinha. Agora recapitulando os fatos, lembrei que já havia assistido ao filme com a Keira, daí querer a versão original da história.

Enfim, voltando ao ponto principal: Comecei a ler O Corcunda, porém tive que parar por necessidade (leia-se: obras que deveriam ser lidas para a aula de Literatura) e nunca mais retomei. Aí nas férias, carreguei minha mala – já nada pequena – de livros e toquei ler debaixo do Sol, pra me distrair enquanto me esforçava pra deixar minha cor-de-azulejo-de-banheiro pra trás. Não é que o livro era bom? Muito melhor que o filme, aliás! Os dois primeiros parágrafos:

É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna deve estar necessitado de uma esposa.

Por muito pouco que sejam conhecidos os sentimentos ou o modo de pensar de tal homem ao entrar pela primeira vez em uma localidade, essa verdade encontra-se de tal modo enraizada no espírito das famílias vizinhas que ele é considerado propriedade legítima de uma de suas filhas.

Não são encantadores?

Claro que tem muito aí de uma mulher elaborando suas exasperações frustradas pelas personagens, mas isso é bem comum. Apesar de considerada a primeira romancista Moderna inglesa, sua obra se enquadra claramente na temática e estética românticas. Talvez, pelo fato dela retratar situações de seu cotidiano, haja um quê de ‘realidade’ ou de ‘natural’ no texto, embora nada que possa ser tido com Realista. Outra coisa interessante: por ser ela mesma mulher, suas personagens femininas são muito mais verossímeis que dos escritores homens. É um ponto que aponta para a Escola seguinte – eu penso, só por sabermos o que sucedeu – portanto não deve, na minha opinião, ser visto como um prenúncio daquela. (Bem, acho que ensaiei teoria literária o suficiente…)

Resumo da ópera, indico a leitura. É um livro muito prazeroso – apesar dos clássicos diálogos britânicos hiperpolidos -, principalmente na capa do Ruben Toledo (alguém me dá de Natal? Hihihi), sem contar que o Mr. Darcy… Ah! Completamente apaixonante!

PS: Básico que levei quase um ano pra escrever a respeito do livro!


A Mão e a Luva

06 de agosto de 2009

Ele estava lá, sobre a mesa de cabeceira de papai. Eu, despretensiosamente (embora com alguma expectativa já conferida pela visão do sobrenome do autor na capa dura e ilustrada assim-assim, também um pouco de preconceito – esqueci de mencionar anteriormente – pelo momento literário em que foi concebida a obra), abri o fino tomo único e deixei o olhar vagar pelos primeiros parágrafos:

- Mas que pretendes fazer agora?

- Morrer.

- Morrer? Que ideia! Deixa-te disso, Estêvão. Não se morre por tão pouco…

- Morre-se. Quem não padece estas dores não as pode avaliar. O golpe foi profundo, e o meu coração é pusilânime; por mais aborrecível que pareça a ideia de morte, pior, muito pior que ela, é a de viver. Ah! tu não sabes o que isto é?

- Sei: um namoro gorado…

- Luís!

- …E se em cada caso de namoro gorado morresse um homem, tinha já diminuído muito o gênero humano, e Malthus perderia o latim. Anda, sobe.

Estêvão meteu a mão nos cabelos com um gesto de angústia, Luís Alves sacudiu a cabeça e sorriu. Achavam-se os dous [''dous'', assim, é tão charmoso, não?] no corredor da casa de Luís Alves, à Rua da Constituição, – que então se chamava do Ciganos; – então, isto é, em 1853, uma bagatela de vinte anos que lá vão, levando talvez consigo as ilusões do leitor, e deixando-lhe em troca (usurários!) uma triste, crua e desconsolada experiência.

Obs: Grifos meus; sacadas que eu AMEI!

Irresistível, não é mesmo?


Insônia

02 de abril de 2009

Tentei mil posições diferentes, me alonguei, li alguns capítulos de “O Alienista”, até fiz abdominais! O expresso que tomei às seis horas ainda deve estar concentrado no meu sangue, não é possível.

por que ela consegue e eu não?

Por que ela consegue e eu não?


Leitura de Férias: “Assim Falou Zaratustra”

31 de janeiro de 2009

“Eu vos anuncio o super-homem. O homem existe para ser superado. Que fizestes para o superar?
Até agora todos os seres criaram alguma coisa superior a si mesmos. E vós, quereis ser o refluxo desse grande fluxo e, em vez de superar o homem, preferis voltar ao animal?
Que é o macaco para o o homem? Uma zombaria ou uma dolorosa vergonha. E tal deve ser o homem para o super-homem: uma zombaria ou uma dolorosa vergonha.
Percorrestes o caminho que vai do verme ao homem, e em vós resta ainda muito do verme. Outrora fostes macacos e, mesmo agora, ainda mais macaco do que qualquer macaco é o homem.[...]
Que vossa vontade diga: seja o super-homem o sentido da terra!
Eu vos exorto, meus irmãos! Permanecei fiéis à terra e não acrediteis naqueles que vos falam de esperanças supraterrestres. [...]
O homem é uma corda estendida entre o animal e o super-homem. Uma corda sobre o abismo.
Perigosa para percorrê-la, é perigoso ir por esse caminho, perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar.
O que é grande no homem é ele ser uma ponte e não uma meta. O que se pode amar no homem é ele ser uma passagem e um declínio”[...]

Nietzsche, Friedrich Wilhelm; in ”Also Sprach Zarathustra”

Pas besoin de mot…

Copyright © 2009 por Carolina Peters
Licença Creative Commons