Atenção, conteúdo impróprio para religiosos. O escrito a seguir pode ser considerado ofensivo.
O texto a seguir faz parte de um projeto que criei de dar minha versão a lugares-comuns da Arte (em geral, cenas religiosas). Tenho alguns rascunhos, mas acordei nessa manhã de Natal com vontade de escrever algo e isso me veio à cabeça. Espero que gostem. Ah, e como avisei anteriormente, o texto PODE ser ofensivo, especialmente se você for CRISTÃO. PORTANTO NÃO LEIA E NÃO ME IRRITE!! Vou ignorar/deletar comentários desagradáveis. Pelo direito de expressão, Carol.
Amanhece. O pobre José olha a sua volta: Nada que mereça nota. Um grande deserto, isso sim. E animais esquálidos a preencher o quadro, algumas poças de excretas e excrementos pelo chão. Os três homens gordos em roupas pomposas já partiram, mal chegaram. Também, quem aguentaria longo o frio da noite, o calor impraticável do dia, o odor dos animais e das próprias gentes, os berros do rebento? Calou-se agora – ainda bem! Passara o choque do mundo à raquítica criança; por enquanto. Dissera-lhe o loiro alto e forte num vestidinho branco que o menino mudaria o mundo. Conversa! Quem era ele, trouxa de cair nas conversas que puseram barriga à mulher? Ah, mulheres… Estava lá a um canto, Maria. Gorda como uma porta. Não muito, ele imaginou, e quedaria-se fina como uma vara. Tempos difíceis, êh! E nem começavam ainda… Nem poderiam contar com os presentes mínimos trazidos pelos velhos. Muquiranas, Deus castigará! Deus, Deus… Que ganhou dele? Um bastardo para criar e uma mulher, para sustentar, sem benefícios. Pensou em como passariam todos para a história: Os animais bem cuidados e dóceis, o moleque, um herói! A mulher, uma santa, eternizada na pintura dos grandes mestres como ser da mais pura beleza – arre! E ele, o que diriam? Um frouxo, um corno… Ou pior, um pederasta! Também, para casar com uma “virgem” e mantê-la assim, só podia…


