Velhos, crianças… desconhecidos em geral, gosto muito à distância. Esses polos etários são recorrentes nas minhas descrições de momento, não sei se por gosto pessoal ou simplesmente os “adultos” que são muito chatos, mesmo irrelevantes, pra que se gaste tempo relatando minuciosamente a forma como compram o jornal do dia e um maço de cigarros.
Três casos de hoje:
Um: Na porta do caixa-eletrônico, esperando minha vez pra usar o Banco 24h. Sai a senhora, para de frente pra mim: Cobram taxa pra usar o 24-horas? Não sei… Nunca vi disso. Ora, que absurdo! Poisé, poisé! acabei de ver a informação na tela. Vou esperar vagar o caixa do … Ah, não era meu banco. Bom, bom. Honestamente, não sei o que me perturbou mais naquela conversa: A possibilidade de pagar as tais taxas ou a dentada da senhora maquiada por baton cobre.
Dois: Lá vou eu, pálida, me arrastando vagarosamente num vestidinho marrom até a farmácia. Resfriado maldito. Irritação inicial ao perceber que analgésicos e vitaminas C foram mudadas de lugar. Fui até o balcão, pedi pra mocinha. Muitas opções. (É difícil esse mundo capitalista!) Qual o mais barato? … O mais barato dos conhecidos? Certo… Paracetamol. A mesma coisa… Vou para o caixa, duas senhoras se achegam no balcão. Uma reclama com a outra qualquer coisa em volume inaudível. Responde: “o do posto é coisa de Po-bre!”. Vêm para caixa logo eu passo pela porta automática.
Três: Volto pra casa, me restabeleço minimamente, saio a passear com a Marrie. Faz tempo que não desço com a Marrie e dumas semanas pra cá um gato do prédio vizinho começou a ocupar nosso corredor. E o gato tava lá, né? No corredor que, tacitamente, é da Marrie. Eis que a gata, na coleira cor-de-rosa, começa a bufar pro outro felino. E sai correndo! E eu, carregada por ela. O outro se esconde deba,ixo do carro, pr’além do portão! Entra um vizinhozinho. A gata, ensandecida, se atraca na perna dele. Ah, Éris! Me desculpa, mesmo, mesmo, mesmo… ela NUNCA faz isso! Tudo bem… Gata solta da coleira, pra baixo do carro, pondo o adversário pra correr… “Tá namorando a gatinha” diz a senhora. Não, não tá. Nada contra, mas minha gata não é lésbica e o que tá acontecendo aqui é briga feia, por território! Nada de namoricos, minha senhora. “Ah, tá namorando!”… Ah, tá bom. Sorrio pra donna, cato a Marrie e, com muito custo, vamos escada acima.

