Comecei a ler Modos de Homem & Modas de Mulher recentemente, ainda estou na página 39. Particularmente, não gosto da escrita do Freyre e discordo de muitas das ideias dele, tendem a ser restritivas, ainda que a proposta seja de uma análise geral (Casa Grande & Senzala chegou a me dar a sensação de ser uma estrangeira no meu próprio país!). No entanto, alguns trechos são muito interessantes.
No capítulo “Nova Concepção de Feminilidade”, o autor desvincula a moda da vontade arbitrária do criador e a caracteriza como elemento de expressão de mudanças sociais/comportamentais/etc. Desde que me interesso pelo tema, defendo a moda como uma das mais importantes formas artísticas da humanidade. A moda é a forma estética que os simbolistas sempre desejaram alcançar, a qual o indíviduo é capaz de sentir e apropriar-se dela como parte de seu próprio corpo, seu próprio ser. Cada peça é capaz de tornar um diferente lírico o seu Eu. Moda, meus queridos, é arte. Tendência e estilo não têm nada a ver com isso.
Fiquei deveras triste ao saber do suicídio de McQueen. Alexander McQueen não apenas foi um grande estilista, mas um dos maiores artistas da contemporaneidade. E não digo que ele era criativo por usar alegorias inusitadas em suas criações. Ele foi um gênio por agregar esses elementos figurativos ao conhecimento do corpo feminino. Soube ousar na caracterização sem negligenciar a feminilidade, dadas as silhuetas impecáveis de seus modelos. Cada uma de suas roupas era como um quadro meticulasamente pensado e executado, em confluência com quem as vestia, não um emaranhado de panos cobrindo um cabide humano.
Creio que grande parte das pessoas discorde de minha visão e diga que a indústria da moda é cruel, corrupta, tem pacto com o demo e por aí em diante. Sinceramente, não vejo o que o vestido e o trecho de desfile abaixo têm a perder pra um belo soneto ou quadro num museu. São igualmente válidos, igualmente belos.
Goddess Save McQueen.


