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Poema Progressivo

29 de janeiro de 2010

Peça um favor
Que me leve a eternidade

Mas – OH! – não espere
Não espere, de verdade
Qu’é melhor surpresa
A uma casualidade.

(O poema acima foi meio escrito em novembro de 2009 e meio em janeiro de 2010. Alterna redondilhas menores a maiores, mas isso não foi exatamente proposital. Foi feita uma terceira estrofe, com oito versos, que não ficou tão boa e por isso foi excluída do texto final.)


De Atraso

01 de outubro de 2009

Acabo de encontrar por acaso, no meio da pilha de folhas de rascunho que deixo sobre a escrivaninha, um soneto começado. Tratei de terminá-lo:

Então tu, meu caro
Que me contaram, era homem;
Que me contaste, já feito;
Tu que talvez chore ou talvez não.

Tu que me afirmaste, outro era tolo
Que não havia batalha,
Senão a minha,
Mas que não lutou.

Sei que falo de atraso,
Embora esperasse de ti
Qualquer vanguarda – vã?

Ousas a ti mesmo
Dizer que está bem.
Dize, que de fato tens?


Poema de Chuveiro

06 de setembro de 2009

Chove.
E aquilo que se diz,
Não é. Mas pretende;
Mal nasce o dia
Morre o assunto

Sem muita razão, talvez
A ingenuidade de
Uma promessa efêmera
Nunca tenha sido levada
Também em conta.

Mas (não) é.
E assim não-sendo, faz sentido esperar
Uma qualquer profecia
Mesmo ingênua, efêmera; regalia

De quem sonha sem querer,
E se ofende por alguém
Que sabe ver onde anda
Entrar também na brincadeira.


Experimento #1 – Poesia em Prosa

02 de julho de 2009

Prólogo

E de repente, todos os carros eram azuis e todos os dias, domingos ensolarados. Foi quando ela se percebeu irremediável, irredutivelmente, apaixonada.

Sucré

(Atenção! Não recomendado para diabéticos)

Nem todos diziam – que muitos eram educados o suficiente, ou demasiadamente pudicos para tal – mas os que faziam; porque, menina! Que você é tão jovem e linda, tem toda uma vida pela frente ainda…

E ela ouvia, e concordava mas… Daí a interpretar que ele fosse um “peso” sobre ela (até sim; só literalmente. Nada que um pouquinho de exercício e menos chocolate; nada tão importante), que merecia “coisa melhor”… Ora! Se ela podia ter qualquer homem, cadê, que o seu “qualquer” não lhe servia?

E não pense que seu amor, nutrido por quem era, era qualquer coisa perto de falta de opção! Muitíssimo ao contrário: escolha plenamente democrática, voto direto e seguramente sóbrio de cada milímetro de tecido corpóreo contido em seu pouco mais de metro-e-meio.

Bem verdade, ele tinha lá seu pé atrás. Já tinha desacreditado um pouco desta vida e só: ia levando, esperando sua reencarnação. Então aparece essa tal dessa moça e, que estranho! Tanto ele se deixar ser levado quanto ela mesma puxar corda! Pode-se dizer que fosse um dos que endossavam o coro de “coisa melhor”. Não pra ela (exatamente)… Para si; que tanto podia ser coisa melhor.

É certeza: Essas coisas, para ela, tanto faziam. Pois se era mesmo isso & tudo aquilo & mais um monte, porque não ser logo assim pelos dois? Se faltava tanto a ele, fazer o quê? Nem de longe que pudesse completá-lo! Mas bem podia e, ah!, isso fazia: comple(men)tá-lo. Uma sutileza, nem perto de um detalhe!

Paciência, que as pessoas falam mesmo. Que a vida própria e mesmo muito chata e o bom é contar do alheio! Assim os dois, sempre dizendo do povo e o povo, quando em vez; em meio de outros tantos-tantos casos muito mais ou tanto menos interessantes; comentando também dos dois.

O que interessa é que os carros azuis ainda eram maioria, que o verão instaurara-se perpetuamente em julho (no hemisfério Sul) e ela permanecia inalteradamente, conscientemente, felizmente…

Nota da Autora: Coisa meio Quintana numa noite de quinta…


Persona

08 de junho de 2009

Coisa louca que, se há algumas semanas não conseguia pensar dentro da minha própria cabeça, no momento estou com problemas de pensar pela dos outros!

Interrompi o livro que estava lendo pouquíssimo antes do fim, sem planos para retomar. Não consigo me concentrar em nada maior que um artigo de revista… A leitura simplesmente não flui! Novos enredos simplesmente pop-up na minha mente e não deixam espaço pra mais nada!

Vou me isolar do mundo no feriado e trabalhar no meu novo projeto, que parece ter bastante potencial. Devido às proporções que está tomando, demorarei para “soltá-lo” (se é que vou fazê-lo tão cedo). Também me sinto em dívida com o conto do ateu (não que não tenha pensado bastante na continuação, só não tive vontade ainda de passar pro papel). Encaixei na minha lista de afazeres… Ai, como eu quero férias!

encubadora

No mais, minha “gaveta-encubadora”, onde jogo todos os fragmentos de texto, redações relativamente boas, esboços, citações de livros, rascunhos e mais infinitas coisinhas que escrevo, aleatória ou propositalmente, não para de encher! Até tirei uma foto. Saiu medonhamente escura, mas tudo bem.

Ai que eu não me aguento com essa mudança constante de personalidade. Cada novo conto, cada novo parágrafo solto, cada linhazinha… E acabo pegando algumas da manias dos meus personagens, quando não topo com alguém na rua que é assustadoramente igual a uma criação minha! Um dia ainda conto essa história… Foi muito bizarro! Ainda vou ficar maluca (isso que já não sou lá muito normal…).

Preciso deixar essa maluquice de escrever um pouquinho de lado, antes que não consiga mais identificar o que de mim é real e o que é experimento. Sensação terrível de possibilidade de estar usando as pessoas como cobaias, sei lá… Envolver-me demais com o que estou escrevendo/planejando… Acho que esse é o meu pior defeito; que não deixa de ser uma qualidade (certamente perversa…). Tô tão boba ultimamente… Rindo à toa, quer coisa mais boba, mais desesperada? E reticente…

Ai, de novo (o “ai” e o complemento:), que eu quero férias; bem rápido e bem longas! Se todas as semanas até julho passarem rápido como a semana passada, serei a pessoa mais feliz do mundo!

Copyright © 2009 por Carolina Peters
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