Prólogo
E de repente, todos os carros eram azuis e todos os dias, domingos ensolarados. Foi quando ela se percebeu irremediável, irredutivelmente, apaixonada.
Sucré
(Atenção! Não recomendado para diabéticos)
Nem todos diziam – que muitos eram educados o suficiente, ou demasiadamente pudicos para tal – mas os que faziam; porque, menina! Que você é tão jovem e linda, tem toda uma vida pela frente ainda…
E ela ouvia, e concordava mas… Daí a interpretar que ele fosse um “peso” sobre ela (até sim; só literalmente. Nada que um pouquinho de exercício e menos chocolate; nada tão importante), que merecia “coisa melhor”… Ora! Se ela podia ter qualquer homem, cadê, que o seu “qualquer” não lhe servia?
E não pense que seu amor, nutrido por quem era, era qualquer coisa perto de falta de opção! Muitíssimo ao contrário: escolha plenamente democrática, voto direto e seguramente sóbrio de cada milímetro de tecido corpóreo contido em seu pouco mais de metro-e-meio.
Bem verdade, ele tinha lá seu pé atrás. Já tinha desacreditado um pouco desta vida e só: ia levando, esperando sua reencarnação. Então aparece essa tal dessa moça e, que estranho! Tanto ele se deixar ser levado quanto ela mesma puxar corda! Pode-se dizer que fosse um dos que endossavam o coro de “coisa melhor”. Não pra ela (exatamente)… Para si; que tanto podia ser coisa melhor.
É certeza: Essas coisas, para ela, tanto faziam. Pois se era mesmo isso & tudo aquilo & mais um monte, porque não ser logo assim pelos dois? Se faltava tanto a ele, fazer o quê? Nem de longe que pudesse completá-lo! Mas bem podia e, ah!, isso fazia: comple(men)tá-lo. Uma sutileza, nem perto de um detalhe!
Paciência, que as pessoas falam mesmo. Que a vida própria e mesmo muito chata e o bom é contar do alheio! Assim os dois, sempre dizendo do povo e o povo, quando em vez; em meio de outros tantos-tantos casos muito mais ou tanto menos interessantes; comentando também dos dois.
O que interessa é que os carros azuis ainda eram maioria, que o verão instaurara-se perpetuamente em julho (no hemisfério Sul) e ela permanecia inalteradamente, conscientemente, felizmente…
Nota da Autora: Coisa meio Quintana numa noite de quinta…