“DIA DE MARTE, eu no Masp, cercada por Chagall.
Uma das coisas que mais me agradam nos espaços que reúnem arte são as senhoras de ar aristocrático que os frequentam. Há aqui uma num vestido verde, mules nude – bem próprio; lembrei-me de … comentando a cor – e o casaco nos ombros, marca das senhoras elegantes. Seus óculos estão na cabeça, eventualmente são – o telefone toca [infortunamente] – eventualmente eram baixados aos olhos pelas mãos delicadas.
Ela saiu do meu campo de visão e lembro agora do que pretendia falar. O Jesus-boiando de Chagall é um belo quadro.
Estou de frente para as pinturas de temática religiosa. Um homem acaba de fitar justo o que me chamou a atenção.
‘A Sarça Ardente’. Poderia escrever um filme, A Salsa Ardente: Um dançarino cubano, de nome Moisés, ilegal nos EUA, ganhando a vida num clube de salsa no subúrbio nova-iorquino.
(Já volto ao filme, um comentário urgente: jamais poria um rebento meu numa escolinha chamada ‘carinha suja’. Mas admiro que os pequenos – de carinhas limpas – são adoráveis. Tão calmos quanto pode uma criança nos seus [4 ou 5, difícil de ver o que escrevi, está rasurado] anos ser dentro de um museu, ao som de ópera. A auxiliar da professora é a típica moça bonitinha em jeans apertados…)
Voltando ao filme: (dois americanos em roupas idênticas; pai e filho? [apenas um comentário aleatório, mas daria uma boa cena...]) Moisés Moisés, na pista de dança, entusiasmado recebe visões de uma Cuba Libre: sua missão na vida é voltar a seu país e implantar um Comunismo.
Estudantes de artes (?) esboçam croquis; um dos mais malvestidos com a camisa do avesso. Teve sorte hoje? Gostaria de saber…
La Chasse aux Oiseaux me fez cantarolar a Habanera de Carmen.
(…)”
(Museu de Arte de São Paulo, tarde de 23 de março de 2010.)
PS: Entre colchetes tão comentários meus ou apenas transcrições destacadas porque, vamo combiná, né? “Infortunamente”? “Pobremente” (de espírito, faz muito sentido pr’alguém que entra num museu com o celular ligado) ou só um americanismo pobre mesmo?