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SC #6

14 de julho de 2010

Indivíduo do sexo feminino; covinhas discretas no queixo e nas bochechas; um e sessenta e tantos (descontar o salto das botas); ausência de pigmentação na pele, exceto sob os olhos; cabelos chanel castanhos. Flagrada portando 1kg e 640 gramas de balas de goma – alegou serem para consumo próprio.

Imagens do dia: Crentes promovendo seu CD (15 contos – louvores inclusos) com performance musical em pleno calçadão; anúncios de oferta dos lojõespop em tempo real; um palhaço caminhando ao lado de engravatados; containers amarelo-queimado em contraste com o céu azul no horizonte. Viro na R. F…, depois à esquerda na rua da revistaria. R$ 1,50 depois…

JUDIARIA

Menina de dois
anos é internada com
suspeita da porca em
Balneário pág 9

…a vida provinciana.


Dia de Marte

27 de junho de 2010

“DIA DE MARTE, eu no Masp, cercada por Chagall.

Uma das coisas que mais me agradam nos espaços que reúnem arte são as senhoras de ar aristocrático que os frequentam. Há aqui uma num vestido verde, mules nude – bem próprio; lembrei-me de … comentando a cor – e o casaco nos ombros, marca das senhoras elegantes. Seus óculos estão na cabeça, eventualmente são – o telefone toca [infortunamente] – eventualmente eram baixados aos olhos pelas mãos delicadas.

Ela saiu do meu campo de visão e lembro agora do que pretendia falar. O Jesus-boiando de Chagall é um belo quadro.

Estou de frente para as pinturas de temática religiosa. Um homem acaba de fitar justo o que me chamou a atenção.

‘A Sarça Ardente’. Poderia escrever um filme, A Salsa Ardente: Um dançarino cubano, de nome Moisés, ilegal nos EUA, ganhando a vida num clube de salsa no subúrbio nova-iorquino.

(Já volto ao filme, um comentário urgente: jamais poria um rebento meu numa escolinha chamada ‘carinha suja’. Mas admiro que os pequenos – de carinhas limpas – são adoráveis. Tão calmos quanto pode uma criança nos seus [4 ou 5, difícil de ver o que escrevi, está rasurado] anos ser dentro de um museu, ao som de ópera. A auxiliar da professora é a típica moça bonitinha em jeans apertados…)

Voltando ao filme: (dois americanos em roupas idênticas; pai e filho? [apenas um comentário aleatório, mas daria uma boa cena...]) Moisés Moisés, na pista de dança, entusiasmado recebe visões de uma Cuba Libre: sua missão na vida é voltar a seu país e implantar um Comunismo.

Estudantes de artes (?) esboçam croquis; um dos mais malvestidos com a camisa do avesso. Teve sorte hoje? Gostaria de saber…

La Chasse aux Oiseaux me fez cantarolar a Habanera de Carmen.

(…)”

(Museu de Arte de São Paulo, tarde de 23 de março de 2010.)

PS: Entre colchetes tão comentários meus ou apenas transcrições destacadas porque, vamo combiná, né? “Infortunamente”? “Pobremente” (de espírito, faz muito sentido pr’alguém que entra num museu com o celular ligado) ou só um americanismo pobre mesmo?


Isabela

27 de junho de 2010

Isso foi em 2007 – 2008, talvez… Uns capítulos um pouco desconexos de uma historinha besta estavam esquecidos na gaveta da minha escrivaninha. Nessa época eu tinha uma escrivaninha com gavetas – duas gavetas! – que abriam com muito custo e muito jeitinho.

Não lembro onde estava, sei que voltava correndo pra casa. Sempre me atrapalhava com as chaves pra abrir a porta de vidro da entrada do prédio. A porta sempre dava problemas… Um ou outro, entrar em casa era sempre complicado.

Prostrada no alto dos degraus de granitos, ao lado do interfone: baixa, traços de quem foi fofinha, cabelo preto e liso, franja, olhos azuis, roupas sóbrias, vinte-e-tantos… Coincidência?

Precisei continuar a escrever sobre aquela moça, não tinha jeito.


Ártico

26 de junho de 2010

“Sabe quando a goma de mascar fica dura demais para ser mascada? Assim está meu cérebro – também meu chiclete, de onde tirei a analogia tosca.

Mas com o chiclé é uma coisa, que posso a qualquer momento atirá-lo no lixo, substituí-lo por outro. Meu cérebro, não sei por qual meio arrancá-lo da cabeça.

Faz frio. Visto mais blusas que todos e tenho frio. Um ártico de papel em branco à minha frente. Os relógios do aeroporto estão dessincronizados com o meu, o que me atormenta profundamente.

A aeronave pousou há pouco – atraso de uma hora, já se tornou comum por aqui. Os passageiros desembarcam, outros formam fila. Velhos, pirralhos e ricos tomam a frente… E eu começo a me desanimar pra entrar na linha.”

(Em caligrafia medonha num bloquinho de anotações, provavelmente escrito em maio de 2010 na sala de embarque de Congonhas.)

PS: Só agora notei que chiclé é anagrama de cliché. Explica muita coisa.


Ouvi agora e lembrei…

15 de março de 2010

Estávamos os dois andando sei lá por onde, sei lá pra onde, sei que estávamos assim. Ele conhecia uma menina chamada Layla. Alguma coisa pela qual passamos fez com que ele lembrasse da tal menina, coisa qualquer que ela tenha feito. “Nome de cachorro, não? No que você pensa quando ouve esse nome?”

“Tantan tan, tan-tan; tan… tan, tantan-tan. Tananananan tan tantan tan, tan, tan tanan tan tan-tan..: what do you do when you feel lonely? No one waiting by your side… You’ve been run-lalalala…” E..? “You know is just a foolish part, Laaaaaaayla tanan tan…”

…Like a fool I fell in love with you. You turned my whole world upside down.

Copyright © 2009 por Carolina Peters
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