O Reverendo Peterson levantou há alguns dias a questão do Relativismo e, pouco depois, o Reverendo Beraldo resolveu meter o bedelho no assunto também. Pensei em escrever a respeito, mas com tantos contratempos acabei deixando de lado a motivação. Com uma segunda resposta por parte do Rev. Schneider, retomei meus pensamentos para o post.
Penso haver uma confusão conceitual: há em todos os três textos algumas menções ao “relativismo” que na realidade assemelham-se mais à relatividade. As diferenças entre ambos são sutis e, sinceramente, nunca as descobriria não fosse o grupo de estudos de Filosofia do colégio.
O pensamento relativo implica na adoção de um modelo normativo, utilizado para comparação, porém sem classificá-lo como absoluto*.
Como na teoria de Einstein, tudo depende do seu referencial. Lembra a proposta weberiana, admitindo as experiências e crenças pessoais do observador sem descaracterizar a validade do pensamento. O relativismo, por outro lado, desconsidera qualquer possibilidade de comparação. Torna-se paradoxalmente um extremismo e faz grandes mentes como Foucault defenderem incondicional e acriticamente acontecimentos como a Revolução Islãmica.
Tenho o relativismo como pertencente ao “lado negro da força” por definição. Não penso que precisemos aceitar o “diferente” (cultural, moral, religioso e vá lá…). Digo, considerá-lo correto. No entanto, uma boa frase de Voltaire, lembrada pelo Schneider: “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la”. Ainda assim, o senso crítico é fundamental.
*Que nem a Stephanny do Cross Fox! Afe, que tosco isso que escrevi…


Também aprendi no grupo \o/
É, acho que o Foucault tinha mesmo é receio de demonstrar que poderia discordar de uma cultura…acabou se perdendo no relativismo
Ficou muito bom o post! E ri com o absoluto hahah
Hummm… Interessante essa distinção, mas eu acredito que o relativismo do foucalt só é o lado negro mesmo qdo vem acompanhado de duas coisas ali que vc falou:
1) Não é possível comparar; e
2) Acrítica
Acho que a possibilidade de comparação — não necessariamente qualitativa, mas em termos de essência — é o interessante, e também o senso crítico, porque vemos um ponto de vista do nosso ponto de vista…
O que eu acho que eu critico é uma simbiose desgraçada entre pensamento relativo e modinha.
Porque veja, a ”moda” é ser relativo. Então as pessoas querem ser relativas, e dizer que tudo bem, vale qualquer coisa — elas querem ter um pensamento relativo. Ou melhor::: quem _parecer_ ter um pensamento relativo. Só que por dentro permanecem com os próprios valores set in stone de um jeito que não considerem que outros pontos de vista _possam_ fazer sentido. Não, só o deles, ”mas, né, cada um cada um..”
Pete, acho que o que acontece é que as pessoas pretendem ser relativas, porém caem no relativismo. É uma tentativa de abrir mais as mentes das pessoas, quem sabe. No entanto, como em toda moda, a tendência é indicada e a aplicação acaba negligenciada.
Concordo no fim com o Peterson: sem comparar não dá. A parada toda serve pra isso, no fim das contas.
Mas é exatamente o que eu disse. O “relativismo” é por definição ruim poir exclui a possibilidade de comparação, portanto, o que vocês defendem é uma visão relativa, não relativista.
E se esquecermos que o relativismo se aplica na prática e tentarmos analisá-lo por si só?
Acho que ganharíamos mais.
Como você sugere que façamos a análise então? Comparando casos hipotéticos ou o quê?