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Mulheres e suas Vuitton

por Carol

Saí no sábado passado, véspera da prova da FUVEST. Cheguei em casa e papis tinha um mimo pra mim: uma edição comemorativa de “O Suplício do Papai Noel” (mais perto do natal eu comento a leitura, pode ser?), em razão do meu primeiro vestibular. Fiquei empolgadíssima, lógico! Afinal, meu primeiro Lévi-Strauss!

Comentei com um amigo, assim que desembrulhei o volume. Ele se referiu à minha euforia, dizendo que parecia “uma patricinha que ganha sua primeira Louis Vuitton”. Eu ri. Em seguida, perguntei timidamente a ele se era algo positivo. Sim, sim – ele se apressou em garantir. Mas apenas por se tratar de um livro.

Eu já imaginava a resposta dele, pra ser sincera. Porém, não custava nada confirmar – ainda mais visto que tempos atrás, se ele não chegava a me ver como uma menininha fútil, tampouco via como intelectual. Ok, passou.

Na segunda-feira, saí com uma amiga (aliás, amiga em comum com ele). Ela tinha feito aniversário há poucos dias e exibia orgulhosa a edição especial que ganhara, embora fosse uma Longchamp, não um Lévi-Strauss.

Pensei na classificação dele para o contentamento de nossa amiga. Não só por ela ser uma das melhores amigas que tenho, simplesmente não consigo considerá-la fútil por conta de sua obsessão por bolsas. Arriscando um pouco mais, ouso dizer quenão vejo diferença entre a obsessão dela e minha compulsão por livros. E isso não é informação que cause choque!

Talvez a um estranho pareça sim futilidade. Cabe então a mim comentar que essa amiga é das mais cultas. Alguém com quem posso discutir moda como arte (tenho raiva mortal de gente que discute “roupa” e pensa falar de moda…) e para quem consigo citar Hannah Arendt e ser compreendida. É alguém que assumiu a postura de estudar semiótica por conta própria, a despeito do desinteresse de seus colegas . Independente de seu lado “capitalista” (sic) – do qual não me isento, que minha paixão por sapatos é próxima à por livros – minha amiga não é apenas uma boa pessoa, como uma pessoa consciente e que sabe perfeitamente bem exercer sua racionalidade.

Há mesmo contradição em ser uma erudita que se importa com acessórios? São preferíveis os falso-moralistas, os pseudo-politizados de discursos doutrinários e intolerantes, os…? Finalmente, digo que fiquei tão animada com a bolsa nova dela quanto ela com meu livro. E não pense que foi nula, bem pelo contrário!

Incoerente?

Do meu gosto… Tirei essa foto há tanto tempo, tava esperando uma oportunidade pra postá-la.

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7 comentários para “Mulheres e suas Vuitton”

  1. Carol Cubas disse:

    Carol,
    Li teus escritos e achei o máximo.
    Me identifiquei com esse texto. Adoro Livros, bolsas e sapatos… e perfumes. A pós-modernidade permite…ou não.

    • Carol disse:

      Valeu Carol! Muito mesmo, ainda mais vindo de você!
      E concordo com você: acho que a pós-modernidade favorece sim esse ‘comportamento dialético’.

  2. É que, tipo, gostar de bolsas e acessórios e moda – ainda que seja enquanto entidade que dita o que é certo e o que é errado usar, o que está “em alta”, etc etc – não é, e nem pode ser, um atributo que leva NECESSARIAMENTE à futilidade, a uma mente vazia e desprovida de capacidade intelectual etc etc por aí vai.

    Mas muitas vezes essas duas coisas se encontram juntas, daí a confusão =/ é mais ou menos como loira burra. Não é a loirice que deixa uma mulher burra, mas é que existe um certo estereótipo de mulher que não liga pro exercício da massa encefálica e valoriza bastante a aparência segundo o status quo – o que a leva a ser loira, embora acho que a época de “todas querem ser loiras” meio que deu uma esfriada, não?

  3. A tempo: ainda bem que deu uma esfriada! AEhaeheaheaha morenas / ruivas rock =)

  4. Érica Miyamura disse:

    Adorei! *-*

  5. [...] Cyndi Lauper no chuveiro não muda minha opinião sobre sua pessoa! – como se fosse heresia ler Foucault e gostar da Hello Kitty… Não é culpa dela. Compreendo perfeitamente, been there, done that! Sou impaciente mesmo, [...]

  6. [...] O primeiro Lévi-Strauss a gente nunca esquece. É curtíssimo (umas cinquenta páginas) e bem conciso, mas ao mesmo tempo, [...]

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