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Meet Cute

por Carol

Uma coisa que as pessoas precisam entender é que, nem sempre, um meet-cute é um Meet-Cute.Talvez eu não tenha me feito entender muito bem com essa colocação, portanto ilustrarei com um exemplo pessoal:

Era meu primeiro dia no novo escritório e, como de propósito do destino de frustrar meus planos de causar boa impressão, todo o possível e mais um pouco aconteceram para que eu estivesse em cima da hora estipulada por meu novo empregador. Suando, ajustando a gravata e as mangas da camisa, entro no elevador, cuja porta está quase se fechando. No primeiro andar, abre-se a porta. Entra uma moça. Não era uma daquelas secretárias, com luzes no cabelo e silhuetas espetaculares e quilômetros de pernas enaltecidas por sapatos de salto. Era qualquer coisa muito mais singela. Uma moça pequena em todas as dimensões, olhinhos castanhos e tímidos, sardinhas discretas, um ar angelical em contraste com o traje executivo. Uma forma infantil de balançar levemente a pasta de couro em que guardava os documentos… Lá pelo terceiro andar, já conseguira computar cada milimetro de seu ser em meu cérebro, o elevador dá um solavanco. Ela arregala seus olhos, de medo. Eu a encaro com ternura, pergunto se está tudo bem. Ela acalma-se comigo, chegamos ao quinto andar sem mais problemas, ela me deseja um bom dia…

Poder-se-ia dizer que foi coisa do destino, que criou essa situação afim de juntar duas almas que pertencem uma à outra em nome da eternidade. Pensar-se-ia que depois do incidente, flashes com lembranças dela não sairiam mais de minha mente. Ora, não são tão constantes assim! Um homem há que entender que nada há de mais comum que um amor passante, que não passa de um encontro casual em que um frisson espontâneo pode ocorrer entre os dois, sem significar o início de uma grande e devastadora paixão.

Não cruzei mais com ela, por corredor algum. E devo dizer que, nesses poucos dias após o qual nos encontramos, tenha feito já a varredura de toda a companhia, sem encontrar mais que aquela pasta de couro e um copo perto desta, marcado por baton rosa, do qual tomei posse. Então é isso o que defendo, e alerto aos jovens iniciantes: nem toda mulher em que esbarrar marcará sua vida. Uma grande bobagem pensar assim.

(Um continho pra lembrar os velhos tempos. Happy Valentine’s Day!)

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Um comentário para “Meet Cute”

  1. Marina disse:

    Ficou excelente o conto, Carol!
    E a forma como você narra o tal encontro consegue nos prender facilmente =)

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