Nunca tive uma impressão muito boa de Jane Austen. Principalmente após assistir The Jane Austen Book Club, era impossível pra mim pensar na autora sem associá-la àqueles livrinhos Românticos blasé, os culpados pelas cabecinhas tolas e delirantes de tantas mulheres – e aqui me incluo, sim, mas também me implico! Então, um belo dia, eu entro na Saraiva pra cheirar livros depois do almoço e paro frente àquela coisinha redonda de pequenas ‘instantes’ (parafraseando o Peterson) da Martin Claret e ô editora pra ter pocket books com capa feia, nunca vi! Nem sei de onde, saí da livraria levando não apenas ‘Orgulho e Preconceito’, como ‘O Corcunda de Notre Dame’. O Victor Hugo até dá pra entender a atração, mesmo com a capa tosquinha. Agora recapitulando os fatos, lembrei que já havia assistido ao filme com a Keira, daí querer a versão original da história.
Enfim, voltando ao ponto principal: Comecei a ler O Corcunda, porém tive que parar por necessidade (leia-se: obras que deveriam ser lidas para a aula de Literatura) e nunca mais retomei. Aí nas férias, carreguei minha mala – já nada pequena – de livros e toquei ler debaixo do Sol, pra me distrair enquanto me esforçava pra deixar minha cor-de-azulejo-de-banheiro pra trás. Não é que o livro era bom? Muito melhor que o filme, aliás! Os dois primeiros parágrafos:
“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna deve estar necessitado de uma esposa.
Por muito pouco que sejam conhecidos os sentimentos ou o modo de pensar de tal homem ao entrar pela primeira vez em uma localidade, essa verdade encontra-se de tal modo enraizada no espírito das famílias vizinhas que ele é considerado propriedade legítima de uma de suas filhas.”
Não são encantadores?
Claro que tem muito aí de uma mulher elaborando suas exasperações frustradas pelas personagens, mas isso é bem comum. Apesar de considerada a primeira romancista Moderna inglesa, sua obra se enquadra claramente na temática e estética românticas. Talvez, pelo fato dela retratar situações de seu cotidiano, haja um quê de ‘realidade’ ou de ‘natural’ no texto, embora nada que possa ser tido com Realista. Outra coisa interessante: por ser ela mesma mulher, suas personagens femininas são muito mais verossímeis que dos escritores homens. É um ponto que aponta para a Escola seguinte – eu penso, só por sabermos o que sucedeu – portanto não deve, na minha opinião, ser visto como um prenúncio daquela. (Bem, acho que ensaiei teoria literária o suficiente…)
Resumo da ópera, indico a leitura. É um livro muito prazeroso – apesar dos clássicos diálogos britânicos hiperpolidos -, principalmente na capa do Ruben Toledo (alguém me dá de Natal? Hihihi), sem contar que o Mr. Darcy… Ah! Completamente apaixonante!
PS: Básico que levei quase um ano pra escrever a respeito do livro!