Obs: O texto abaixo não passou por revisão nem modificações. Não que negue as ideias apresentadas, apenas penso que numa situação mais tranquila desenvolveria melhor minha tese.
“Acordei essa madrugada. Talvez fosse o granizo que batia nas janelas do décimo andar, talvez pressentisse alguma coisa que não sabia o quê. Voltei a dormir e acordei cedo – nada incomum, posto que havia deitado cedo – sorri para o Sol tímido no céu cinzento da capital paulista. Não voltei a dormir. Morguei na cama estranha da casa de meus tios, mandei uma mensagem a um amigo que presta vestibular hoje. Esperei a resposta, ao que lembrei que ele deveria estar descansando.
Levantei, passeei pelo apartamento vazio, sentei à frente do computador e escrevi um pouco. Eventualmente deixava a cadeira, mirava a chuva que tornava a cair pela vasta janela da sala, comia M&M’s, voltava à janela para observar a ruela perpendicular à Rua …, com seus sobradinhos elegantes, de muros forrados a hera.
O celular tocou, era mamãe. Trazia a notícia do falecimento entre as interferências no sinal e o barulho do vento na estrada.
Fiquei muda por coisa de um minuto. Como ela perguntasse coisas, forcei-me a falar.
Confessando bem, não era nada que a família já não desconfiasse. Bisa Geralda estava velha, morrer é coisa natural. Mantivera-se lúcida, é bem verdade. Porém, sem conseguir sequer se alimentar sem auxílio. Não vejo essa situação como mais que uma sobrevida. Foi melhor para ela – e para nós, egoísmos apartados – que descansasse.
Apesar do contexto, a morte alheia nos mostra o quanto somos medíocres, frágeis. É o supremo desconforto de nossas esperanças levianas e narcísicas de imortalidade, nocauteadas. É a razão para calarmos a um canto, na tentativa vã de permanecemos ilesos ao sinistro.
Nosso pranto é sim de falta e saudades. Mas acima de tudo, é de dor por nós mesmos”.
São Paulo, manhã de 15 de novembro de 2009.


Lindo mesmo, me emocionei…
bjs