Ele estava lá, sobre a mesa de cabeceira de papai. Eu, despretensiosamente (embora com alguma expectativa já conferida pela visão do sobrenome do autor na capa dura e ilustrada assim-assim, também um pouco de preconceito – esqueci de mencionar anteriormente – pelo momento literário em que foi concebida a obra), abri o fino tomo único e deixei o olhar vagar pelos primeiros parágrafos:
“- Mas que pretendes fazer agora?
- Morrer.
- Morrer? Que ideia! Deixa-te disso, Estêvão. Não se morre por tão pouco…
- Morre-se. Quem não padece estas dores não as pode avaliar. O golpe foi profundo, e o meu coração é pusilânime; por mais aborrecível que pareça a ideia de morte, pior, muito pior que ela, é a de viver. Ah! tu não sabes o que isto é?
- Sei: um namoro gorado…
- Luís!
- …E se em cada caso de namoro gorado morresse um homem, tinha já diminuído muito o gênero humano, e Malthus perderia o latim. Anda, sobe.
Estêvão meteu a mão nos cabelos com um gesto de angústia, Luís Alves sacudiu a cabeça e sorriu. Achavam-se os dous [''dous'', assim, é tão charmoso, não?] no corredor da casa de Luís Alves, à Rua da Constituição, – que então se chamava do Ciganos; – então, isto é, em 1853, uma bagatela de vinte anos que lá vão, levando talvez consigo as ilusões do leitor, e deixando-lhe em troca (usurários!) uma triste, crua e desconsolada experiência.”
Obs: Grifos meus; sacadas que eu AMEI!
Irresistível, não é mesmo?


[...] qualquer coisa melhor, digo que estou estudando um bom tanto, ainda não consegui terminar de ler “A mão e a luva”, tenho feito um número considerável de experimentos durante algumas aulas chatinhas (logo [...]