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Considerações curtas sobre temas aleatórios 2

27 de março de 2010

Semana Santa começa em polvorosa na província de São Paulo. Quem tinha esquecido da menina defenestrada há dois anos, foi bombardeado com comentários dos mais indignados a respeito e o BBB alternativo que o julgamento do caso suscitou, acreditava piamente que com a condenaçao do casal esse circo se encerraria… É, coitados de nós. Mais uns meses de cobertura sensacionajornalística séria, por conta do infeliz do juiz que quis aparecer e decretou uma pena maior que o previsto por lei. Aí teremos alguns anos de descanso até que eles sejam liberados por bom comportamento, causando novamente revolta e comoção nacional… Os dois vão receber ameaças de morte e caberá ao Estado fornecer segurança – o que incitará mais indignação por parte dos “cidadões (sic) de bem”: Ora, vê se pode o Estado ser CONSTITUCIONAL quando a ilegalidade tem apoio da opinião pública? Dia desses eu divago mais a respeito. Vai dizer que vocês ainda não tinham pensado nos Jatobá-Nardoni estirados lado-a-lado na sarjeta da Zona Norte, ela com um tiro no meio da testa, ele com um no peito… Minha imaginação me surpreende!

Mas dessa condenação todo mundo já sabia! Julgamento verdadeiramente justo e praticamente novidade nessas terras tupiniquins aconteceu no fórum da Barra Funda, como o Eduardo Castro narrou no Twitter.

Falando em Twitter, é pra lá que você tem que correr se quiser saber alguma coisa verídica – e a história completa! – da greve de professores do ensino público aqui no estado de São Paulo. Logo faço um post mais completo, só sobre o assunto. Só digo que, se fosse responsável pela campanha presidencial do Sr. Burns Serra, usaria um slogan como: Dizem que a pós-modernidade trouxe o fim das “Grandes Narrativas”… No governo de SP, Serra promoveu sua restauração! (ou qualquer coisa do gênero, já que é o maior crédito de sua gestão). Sei que a manifestação de ontem deu o que falar, principalmente no sentido de exaltar a imeeeensa capacidade de diálogo de nosso exímio governador (NOT!) e da notícia recebida hoje da existência de uma polícia secreta e barbada em SP!!

“Tempos sombrios estão por vir, Harry Potter”. Em terra de alienado, quem não assiste BBB bem lê Veja pelo visto não é por*a nenhuma. Parafraseando meu tio Agostinho: Mas isso não quer dizer…!

Fique ligado para futuros informes. Carol.


Panem et Circenses

22 de março de 2010

Um dos motivos pelo qual eu não faço poemas (essas coisinhas que vocês eventualmente leem aqui eu chamo “poema” porque… bem, precisa de um nome. Mas poesia amadora não deve pode ser levada a sério – aliás, em breve eu faço uma poeticazinha procês) é que poesia não é instância de desabafo, e eu tenho uma quedinha por revelar detalhes da minha personalidade. Então eu escrevo em prosa pra poder confessar uma coisinha: Odeio circo.

Acho chato, não gosto, não me interessa. Tenho pena de palhaço, não vejo a menor graça. Sentada em cadeirinha de plático, então? Pavor! E mesmo que fosse aquele tal daquele circo do sol, sou bem mais um museu. Sou nerd, pacata; me incomoda toda a cacofonia circense. E aquela coisarada de cores berrantes de tudo quanto é sorte, completamente descoordenadas… Ai! Por mim viveria num filme da Sofia Coppola ou num quadro de Monet. Muito mais agradável aos olhos, não acham?

Nenhuma tecnologia conseguirá fazer duma imagem, por mais high que seja a definition, mais expressiva que letrinhas pretas num fundo branco. (Ou, de preferência, amareladinho, porque reflete menos a luz.)

Mas tem um circo… Um GRANDE! O Grande Circo Místico! Não vi o espetáculo (ainda), agora, a trilha sonora.. Chico Buarque e Edu Lobo, né? Não tinha como sair coisa ruim. A Bela e a Fera é a minha faixa favorita (não curto Tim Maia, mas é o intérprete ideal perfeito). As outras nem me atrevo a elencar! Tenho ouvido repetidamente, meu CD preferido da semana.

Ps: Desculpe se frustrei alguém, que ao ver o título esperou um comentário mordaz sobre a indústria cultural, uma crítica ferrenha ao assistencialismo… Hoje ainda é segunda-feira, façam-me o favor!

Ps2: Não gosto de circo, nem de pão branco, daí o título. Tá bom, eu não desgosto de pão branco, apenas consigo muito bem viver sem. Se bem, vez em quando me atraco num saco de bisnaguinhas ou pães franceses recém-saídos do forno… É, carboidratos são meu fraco.


Ouvi agora e lembrei…

15 de março de 2010

Estávamos os dois andando sei lá por onde, sei lá pra onde, sei que estávamos assim. Ele conhecia uma menina chamada Layla. Alguma coisa pela qual passamos fez com que ele lembrasse da tal menina, coisa qualquer que ela tenha feito. “Nome de cachorro, não? No que você pensa quando ouve esse nome?”

“Tantan tan, tan-tan; tan… tan, tantan-tan. Tananananan tan tantan tan, tan, tan tanan tan tan-tan..: what do you do when you feel lonely? No one waiting by your side… You’ve been run-lalalala…” E..? “You know is just a foolish part, Laaaaaaayla tanan tan…”

…Like a fool I fell in love with you. You turned my whole world upside down.


Que dia é hoje?

08 de março de 2010

Juro pra vocês, trocar minha primeira lâmpada sozinha foi bastante emocionante. Deu uma sensação de auto-suficiência, uma coisa tão boa… De repente era Louise Michel comandando minha própria revolução, dentro de meu quarto instaurava-se uma Comuna. Aí eu desci cuidadosamente da cadeira do computador e voltei à realidade.

Uma coisa que não suporto em datas como Dia Internacional da Mulher, Dia da Consciência Negra, Dia das Mães, dia do diabo a quatro… são as milhões de mensagens toscas que invadem as caixas de email, com que nos bombardeiam nas sinaleiras e quadros de aviso do condomínio. Fico com as flores; os pensamentos ilustrados em power point e os poemas amadores, dispenso. Todos. Não leio um sequer. É ver .gif ou letrinhas coloridas que fujo num instante.

Tenho verdadeiro PAVOR de cliché! Ok, mentira. Tenho não. Eu gosto do cliché, gosto mesmo. Mas não assim na forma bruta e vulgar. Ele precisa ser trabalhado, limado – trabalho deveras parnasiano, no entanto, o resultado aconselhado é qualquer coisa menos isso!

Voltando ao que eu queria dizer quando comecei esse texto, foda-se que a mulher tem mais inteligência emocional ou sei-lá-que-raios! Foda-se o lirismo descomedido dos cartões comerciais. Foda-se também a repulsa à data. É só mais um dia, nem feriado é! Se quer um homem homenagear suas mulheres (não no sentido poligâmico, refiro-me a mãe, vós, amigas, tias, sobrinhas, namorada…), comprar rosas, dizer parabéns, ora! Deixe o menino. É uma gentileza, não um atestado de virilidade. Aqueles que precisam tão desesperadamente demonstrar sua pretensa superioridade sexual não gastam seu dinheiro com outra coisa que não academias, sons automotivos e todo a sorte de parafernalhas para exibir-se. Seu narcisismo não permitiria.

Nesse contexto, após livrar a alma daqueles que não fazem por mal perpetuar a existência desse dia tão inútil, retomo o nome citado no primeiro parágrafo: Admiro profundamente a mulher que foi Clémence, ela é um dos meus “exemplos a ser seguido”. No entanto, nossas lutas não são as mesmas.

Não vejo hoje cabimento no feminismo. A briguinha maniqueísta entre os sexismos não passa disso: uma disputa por adeptos, em detrimento da luta por direitos civis necessários e urgentes.

Este e qualquer outro Dia X, assim como os 364 restantes no calendário não-bissextos, ao invés de servir de palco para discursos antigos ou listas quilométricas enumerando vantagens femininas (“prioridade em botes salva-vidas; orgasmos múltiplos; a mulher do presidente é primeira dama, enquanto o marido da presidente é inominado…” tenha dó!), deveria sediar debates sobre a circuncisão bárbara de meninas (praticada e perpetuada pelas próprias mulheres!) em certas culturas, majoritariamente na África e Ásia; sobre a legalização do aborto no Brasil… E não porque são mulheres; porque são o “sexo frágil”, devem ser protegidas. Porque são seres humanos!

O mesmo deve ser feito em relação à união civil de pessoas do mesmo sexo, à adoção de crianças por esses casais; rediscutir o sistema de cotas, reavaliar e investir na educação básica (onde, como, quanto? Já!), ampliar o acesso à universidade…

Nada me impede de ganhar flores qualquer outro dia. Por que impediria de pensar em políticas públicas também? Hã?

Pra terminar de forma mais agradável, deixo uma lembrancinha aos homens; uma tradução livre em prosa da primeira estrofe de Cows in Art Class, poema de Charles Bukowski, dos meus favoritos:

Bom tempo é como uma boa mulher: nem sempre acontece. E quando acontece, nem sempre dura. Homens são mais estáveis: se ele for mal, há uma boa chance de que o continue sendo; se for bom, talvez permaneça assim. Mas as mulheres são mudadas pela idade, pelas dietas, diálogo, sexo, crianças, pela Lua, pela ausência ou presença do Sol ou bons momentos. Uma mulher deve ser curada, para sua sobrevivência, com amor, ao passo que um homem torna-se mais forte quando odiado.


Aula de Linguística

02 de março de 2010

Ex. 1)

A Maria se admira
Se admira admirando-se
Da Maria que não é
Ela, e que até um
Menino na favela
Sintaticamente sabe
Quem é.

Ex. 2)

O João, diz o exemplo,
Não acertou 4 questões
(Na prova). Ambiguidade,
Diz a professora,
Mas de mais de 3 acertos
Conhecendo o perfil desses joões,
Excluo qualquer possibilidade
Outra sugerida pela doutora.

Ex. 3)

Pegou chuva, Carolina
A pé – “yi”:
Na calça da menina
Há barro na barra, eu vi.

(FFLCH, manhã de 1o. de março de 2010)

Sem exageros, é fazer poemas a(l/u)tamente amadores ou relembrar cenas de My Fair Lady. Há tempo suficiente para ambos.

Copyright © 2009 por Carolina Peters
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