É nesses dias cinzentos em que a chuva frustra nossos planos que a alienação monetária pueril nos faz felizes. Nada como voltar para casa e deixar-se preguiçosamente a pensar, cultivar o ócio enquanto se delicia uma semana de almoço no bandeijão em forma de 100g de chocolate, que os malditos trópicos trataram de amolecer. Paciência. É comer e tratar da sesta.
Dia de quinta
25 de fevereiro de 2010
Meet Cute
14 de fevereiro de 2010
Uma coisa que as pessoas precisam entender é que, nem sempre, um meet-cute é um Meet-Cute.Talvez eu não tenha me feito entender muito bem com essa colocação, portanto ilustrarei com um exemplo pessoal:
Era meu primeiro dia no novo escritório e, como de propósito do destino de frustrar meus planos de causar boa impressão, todo o possível e mais um pouco aconteceram para que eu estivesse em cima da hora estipulada por meu novo empregador. Suando, ajustando a gravata e as mangas da camisa, entro no elevador, cuja porta está quase se fechando. No primeiro andar, abre-se a porta. Entra uma moça. Não era uma daquelas secretárias, com luzes no cabelo e silhuetas espetaculares e quilômetros de pernas enaltecidas por sapatos de salto. Era qualquer coisa muito mais singela. Uma moça pequena em todas as dimensões, olhinhos castanhos e tímidos, sardinhas discretas, um ar angelical em contraste com o traje executivo. Uma forma infantil de balançar levemente a pasta de couro em que guardava os documentos… Lá pelo terceiro andar, já conseguira computar cada milimetro de seu ser em meu cérebro, o elevador dá um solavanco. Ela arregala seus olhos, de medo. Eu a encaro com ternura, pergunto se está tudo bem. Ela acalma-se comigo, chegamos ao quinto andar sem mais problemas, ela me deseja um bom dia…
Poder-se-ia dizer que foi coisa do destino, que criou essa situação afim de juntar duas almas que pertencem uma à outra em nome da eternidade. Pensar-se-ia que depois do incidente, flashes com lembranças dela não sairiam mais de minha mente. Ora, não são tão constantes assim! Um homem há que entender que nada há de mais comum que um amor passante, que não passa de um encontro casual em que um frisson espontâneo pode ocorrer entre os dois, sem significar o início de uma grande e devastadora paixão.
Não cruzei mais com ela, por corredor algum. E devo dizer que, nesses poucos dias após o qual nos encontramos, tenha feito já a varredura de toda a companhia, sem encontrar mais que aquela pasta de couro e um copo perto desta, marcado por baton rosa, do qual tomei posse. Então é isso o que defendo, e alerto aos jovens iniciantes: nem toda mulher em que esbarrar marcará sua vida. Uma grande bobagem pensar assim.
(Um continho pra lembrar os velhos tempos. Happy Valentine’s Day!)
Carnaval, desengano.
13 de fevereiro de 2010
Deixei a dor em casa me esperando e vim me isolar do mundo, em casa de vovô.
Honestamente, não vejo nada mais que um feriado comum quando penso em carnaval. Queria saber o que tinha essa festa a ponto de provocar tamanha melancolia com a chegada da quarta-feira de cinzas.
Ano que vem eu, quem sabe, me planeje pra fazer algo especial pra esse feriado… Talvez role algum post em homenagem ao Valentine’s Day amanhã. Não garanto. No mais, quem ainda não viu, aproveite o feriado pra ler o Cotidiano No. 3!!! Inté!
PS: “Esse moreno me deixou sonhando…”
Modas de Homem e de Mulheres
12 de fevereiro de 2010
Comecei a ler Modos de Homem & Modas de Mulher recentemente, ainda estou na página 39. Particularmente, não gosto da escrita do Freyre e discordo de muitas das ideias dele, tendem a ser restritivas, ainda que a proposta seja de uma análise geral (Casa Grande & Senzala chegou a me dar a sensação de ser uma estrangeira no meu próprio país!). No entanto, alguns trechos são muito interessantes.
No capítulo “Nova Concepção de Feminilidade”, o autor desvincula a moda da vontade arbitrária do criador e a caracteriza como elemento de expressão de mudanças sociais/comportamentais/etc. Desde que me interesso pelo tema, defendo a moda como uma das mais importantes formas artísticas da humanidade. A moda é a forma estética que os simbolistas sempre desejaram alcançar, a qual o indíviduo é capaz de sentir e apropriar-se dela como parte de seu próprio corpo, seu próprio ser. Cada peça é capaz de tornar um diferente lírico o seu Eu. Moda, meus queridos, é arte. Tendência e estilo não têm nada a ver com isso.
Fiquei deveras triste ao saber do suicídio de McQueen. Alexander McQueen não apenas foi um grande estilista, mas um dos maiores artistas da contemporaneidade. E não digo que ele era criativo por usar alegorias inusitadas em suas criações. Ele foi um gênio por agregar esses elementos figurativos ao conhecimento do corpo feminino. Soube ousar na caracterização sem negligenciar a feminilidade, dadas as silhuetas impecáveis de seus modelos. Cada uma de suas roupas era como um quadro meticulasamente pensado e executado, em confluência com quem as vestia, não um emaranhado de panos cobrindo um cabide humano.
Creio que grande parte das pessoas discorde de minha visão e diga que a indústria da moda é cruel, corrupta, tem pacto com o demo e por aí em diante. Sinceramente, não vejo o que o vestido e o trecho de desfile abaixo têm a perder pra um belo soneto ou quadro num museu. São igualmente válidos, igualmente belos.
Goddess Save McQueen.
Unfair Life of a Fair Lady
12 de fevereiro de 2010
A vida não é mesmo justa
No entanto tudo se ajusta:
Toma-se coca gelada,
Canta-se e dá risada…
Recita poemas de amor!
E ainda que seja efêmero,
Trata de considerar primeiro
O afeto, não o dissabor.
Em resposta ao poema publicado pelo André.


