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Abolição às Fraldas

28 de setembro de 2009

(Trabalho de Filosofia de 31/08/2009)

A infância foi uma invenção. E aquela como a conhecemos, o vulto disforme e moribundo da ideia original.

Os Beatles ainda eram anônimos e a Sputnik, jovem, quando a (imagem de) criança, qual era projetada desde a Revolução Francesa, começou a desbotar. O advento de tecnologias como a televisão e a internet facilitou a difusão de informação, tanto para os adultos quanto para os jovens, fazendo com que a divisão entre esses dois “mundos” – de diferentes faixas etárias – se tornasse cada vez mais tênue.

Avanço ou retrocesso? Fato, não é exclusivo da pós-modernidade crianças e adultos compartilharem um momento indistinto de aprendizado. Também na Idade Média essa confluência entre jovens e velhos acontecia, embora nas igrejas – bem como nas (poucas) salas de aula* -, não nas salas de TV.

Foi após a invenção da Imprensa por Gutemberg que se fez necessária a separação das gerações no ensino, sobretudo em seguida à Reforma, posto que os fieis protestantes deveriam ser capazes de ler a Bíblia. Mas apenas com as revoluções burguesas deu-se a popularização das escolas.

O primeiro baque na infância veio no mesmo século, devido à miséria e demanda de mão-de-obra da Revolução Industrial. Ao rumarem para as fábricas, as crianças seguiam igualmente para o mundo dos adultos. Porém, logo foram criadas as legislações trabalhistas e, na segunda metade do século XIX, a infância já estava novamente institucionalizada.

A destruição desse conceito foi gradual. A democratização da democracia – muito bem observada por Hannah Arendt nos EUA – empurrou os pequenos para a polis desprovidos de tutoria. Cabe agora ao aluno decidir o que aprende e o professor já não passa de um “atalho no teclado”, pois sendo de sua vontade, a criança aprende por si só.

É também mais prático para os pais, que aproveitam o tempo com seus rebentos a divertir-se e mimá-los, fazendo-se amigos dos filhos na ânsia narcísica de voltarem a ser jovens. Delegam às instituições de ensino, então, toda a responsabilidade da criação.

Escola não educa criança! É apenas o ambiante onde esta é, pela primeira vez, apresentada ao mundo público. Esse processo tampouco é solitário, e submeter-se à autoridade de um tutor é fundamental nesse momento em que ela deve preparar-se para; embora ainda não; responder por suas escolhas. Estas ainda precisam ser tomadas por um maior.

A infância não morreu. Encontra-se em estado de coma, no leito de um hospital público de país subdesenvolvido qualquer. E, dessa vez, não é sobre a “geração futura” que pesa o dever de acordá-la. Não! São aqueles prestes a partir que devem tomar a missão para si e, finalmente, responsabilizar-se pelo mundo a legar.

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*Nota do professor ao texto original.


20 dias, né?

26 de setembro de 2009

Ou qualquer coisa assim.

Tempo bastante agradável, principalmente o dia de hoje. E eu, que nem sou muito chegada a conversar com estranhos estou me tornando uma mocinha mais sociável. Não é sem tempo, thank Goddess! Até ignorei a dor de cabeça causada pela diferença de pressão durante o voo (estava em SC desde quarta, voltei há pouco pra casa), de tão compenetrada na conversa com meu vizinho de poltrona.

Com os pés já em terra firme, nas minhas pantufas que parecem feitas da bandeira do Orgulho Gay e tomando chazinho de cidreira, sem muita motivação para desfazer a mala – mais uma malinha pequena, estou ficando boa nisso! – decidi dar uma olhadinha no blog. Até que não está tão ruim, já sumi por mais tempo antes, não foi? E vai continuar acontecendo ao longo desse restinho de ano, sinto muito.

Àqueles que se preocuparam, estou bem viva, obrigada – exatamente por isso, tenho feito mais que passar horas a fio frente ao computador. Àqueles que apenas sentiram-se incomodados com a falta de novos textos, talvez se animem em saber que durante os dias em SC comecei a escrever a Parte III de Ao Teu com o Diabo (partes I e II aqui). Caso seja a pergunta, óbvio que serão 5 partes. Também trabalhei em outras coisinhas, mas são poemas bobinhos ou projetos futuros, nem criem muita expectativa! Hahaha

Bem, é isso. Assim que encontrar um tempo eu finalizo os tantos posts salvos no dashboard do WordPress e digito uns textos interessantes que separei na última arrumação de gavetas.

PS: Só pra manter a tradição, sugiro que ocupem o tempo que não podem gastar lendo meus textos novos por enquanto ouvindo a trilha sonora de The Virgin Suicides, feita pelo Air – altamente recomendável, assim como o filme!


Poema de Chuveiro

06 de setembro de 2009

Chove.
E aquilo que se diz,
Não é. Mas pretende;
Mal nasce o dia
Morre o assunto

Sem muita razão, talvez
A ingenuidade de
Uma promessa efêmera
Nunca tenha sido levada
Também em conta.

Mas (não) é.
E assim não-sendo, faz sentido esperar
Uma qualquer profecia
Mesmo ingênua, efêmera; regalia

De quem sonha sem querer,
E se ofende por alguém
Que sabe ver onde anda
Entrar também na brincadeira.

Copyright © 2009 por Carolina Peters
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