Para os leigos, o título desse post é “essa noite”, em f-r-ancê (não, não tem biquinho!). Excelente match para minha noite de Réveillon, na pacata Paris: de minha varanda observando o movimento da Champs Élysées, sem os horrendos shows pirotécnicos, com uma garrafa de champagne, papel e caneta em mãos… NOT! Vou mesmo é pra casa de parentes, provavelmente beber espumante barato e ver os fogos da virada na TV, que nem ano passado. Como diriam os franceses, “cê lá ví!”. Vou aproveitar minha onda de Scarlett O’Hara feelins e dizer: Nunca mais hei de passar o ano novo vendo fogos na TV na vida! Boa celebração ou whattever procês e um bom ano também! Carol.
Pizza de Segunda
28 de dezembro de 2009
Segunda-feira é um dia ingrato. Já percebeu que as melhores coisas não abrem às segundas-feiras? Museus, salões de beleza, pizzarias… E segunda-de-férias é bem o tipinho do dia inútil que eu daria tudo pra terminar com uma boa pizza, pra parecer que o dia valeu a pena.
Tive que me virar com um daqueles placebos produzidos pela Sadia. Fico pensando que merecia um belo dum processo o infeliz que resolveu chamar aquele trem da linha Hot Pocket de pizza… Coisa mais triste!
Sobre a narração em Northanger Abbey
26 de dezembro de 2009
Do pouco que li até o presente momento (estou no capítulo 5 enquanto escrevo), percebo que com este livro – mais que com Orgulho e Preconceito, que já havia lido anteriormente – Jane antecipa temáticas e alguns aspectos estéticos que só se tornariam comuns meio século depois (embora continue defendendo que seja em parte desproposital, como Manoel Antônio de Almeida em Memórias de um Sargento de Milícias).
Algo muito interessante, e que não aparece de forma tão evidente em O&P (escrito e publicado antes de NA), é o emprego da função fática. Não é tão bem executada por ela quanto por Machado (e por quem seria?), mas o efeito é interessante. Ainda sobre o narrador – 3ª pessoa, onisciente -, possui um humor ácido, porém bastante sutil, e um pouco de desprezo em seu tom; típico da mulher aristocrata que narra as peripécias dos médio-classistas e nouveaux riches.
O Nascimento de Jesus
25 de dezembro de 2009
Atenção, conteúdo impróprio para religiosos. O escrito a seguir pode ser considerado ofensivo.
O texto a seguir faz parte de um projeto que criei de dar minha versão a lugares-comuns da Arte (em geral, cenas religiosas). Tenho alguns rascunhos, mas acordei nessa manhã de Natal com vontade de escrever algo e isso me veio à cabeça. Espero que gostem. Ah, e como avisei anteriormente, o texto PODE ser ofensivo, especialmente se você for CRISTÃO. PORTANTO NÃO LEIA E NÃO ME IRRITE!! Vou ignorar/deletar comentários desagradáveis. Pelo direito de expressão, Carol.
Amanhece. O pobre José olha a sua volta: Nada que mereça nota. Um grande deserto, isso sim. E animais esquálidos a preencher o quadro, algumas poças de excretas e excrementos pelo chão. Os três homens gordos em roupas pomposas já partiram, mal chegaram. Também, quem aguentaria longo o frio da noite, o calor impraticável do dia, o odor dos animais e das próprias gentes, os berros do rebento? Calou-se agora – ainda bem! Passara o choque do mundo à raquítica criança; por enquanto. Dissera-lhe o loiro alto e forte num vestidinho branco que o menino mudaria o mundo. Conversa! Quem era ele, trouxa de cair nas conversas que puseram barriga à mulher? Ah, mulheres… Estava lá a um canto, Maria. Gorda como uma porta. Não muito, ele imaginou, e quedaria-se fina como uma vara. Tempos difíceis, êh! E nem começavam ainda… Nem poderiam contar com os presentes mínimos trazidos pelos velhos. Muquiranas, Deus castigará! Deus, Deus… Que ganhou dele? Um bastardo para criar e uma mulher, para sustentar, sem benefícios. Pensou em como passariam todos para a história: Os animais bem cuidados e dóceis, o moleque, um herói! A mulher, uma santa, eternizada na pintura dos grandes mestres como ser da mais pura beleza – arre! E ele, o que diriam? Um frouxo, um corno… Ou pior, um pederasta! Também, para casar com uma “virgem” e mantê-la assim, só podia…
O Suplício do Papai Noel
23 de dezembro de 2009
Para aqueles que buscam um bom presente de natal (de última hora, diga-se de passagem…), eu recomendo profundamente o livro de Claude Lévi-Strauss, que dá nome a esse post. Motivado pela execução pública dos “bons velhinhos”, promovida pela Igreja Católica francesa na década de 50 do século passado, o ensaio de Lévi-Strauss aborda as origens histórico-culturais da figura do Papai Noel e sua importância para a sociedade contemporânea.
Não estou com o livro por perto para poder citar um trecho (sequer boa-vontade para procurar o que quer que seja na internet; simplesmente não suportaria aumentar o tempo de contato com um computador sem sistema operacional, espero que me entendam), mas gostaria de fazer um pequeno comentário a respeito: O espírito natalino é mais que uma instituição, um reflexo da moral cristã ou um sentimento de culpa à lá “Um Conto de Natal”, do Dickens. Faz parte da identidade humana.
Comemore esse natal, independentemente de suas crenças. Lembre aos outros o quanto gosta deles e faça coisas boas não porque é natal, mas porque é preciso começar um dia, então que tal hoje mesmo? Presenteio os vivos – com um gesto que seja – já que não há mais nada por fazer pelos mortos. Esse é o sentido das festas de fim de ano: Celebrar os que restaram e perpetuar a história dos que já foram.
Escreverei mais assim que possível! Boas Festas! Ah, e leiam esse ensaio do Lévi-Strauss, vale muito a pena.

